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Frameworks e metodologias

Funil de vendas B2B: como criar etapas que preveem receita

A etapa do funil precisa registrar uma decisão do comprador, com critério verificável no CRM e probabilidade calculada pelo histórico. Um modelo de funil B2B com evidência e campos por etapa, a conexão com marketing e pós-venda e como migrar do funil antigo sem perder histórico.

18 min de leitura

Um funil de vendas B2B prevê receita quando cada etapa registra uma decisão que o comprador tomou, com critério de entrada e de saída que qualquer pessoa do time confere no CRM, probabilidade calculada pela conversão histórica da própria empresa e tempo medido em cada fase. Para venda nova, isso cabe em cinco a sete etapas. O funil que nasce da configuração padrão do CRM, com etapas como “proposta enviada” e probabilidades que sobem de dez em dez pontos, mede a atividade do vendedor e entrega à diretoria um número que ninguém explica. O redesenho costuma falhar depois de pronto, quando dez pessoas precisam aplicar o mesmo critério ao mesmo negócio num fim de mês apertado, e esse comportamento se forma com prática e rotina de gestão.

Quando abro o pipeline de uma empresa pela primeira vez, peço um relatório simples: quantos negócios entraram em cada etapa no último ano e quantos deles terminaram ganhos. Em boa parte das operações, a conversão real de “proposta enviada” fica bem abaixo dos 60% ou 70% que o CRM atribui a essa etapa, e a etapa de negociação guarda negócios sem contato há meses. O gerente comercial sabe disso e aplica um desconto de cabeça no forecast, sintoma de etapas que descrevem o trabalho do vendedor.

O que é funil de vendas B2B e o que cada etapa deve registrar?

Funil de vendas é a sequência de etapas que uma oportunidade percorre entre o primeiro interesse qualificado e a decisão de compra, e o nome vem do formato: muitos negócios entram em cima e uma parte deles sai embaixo. Pipeline de vendas é a mesma estrutura vista como carteira, a lista dos negócios abertos com valor, etapa e data. As duas leituras dependem do mesmo desenho de etapas.

A etapa precisa registrar um marco do comprador porque o comprador B2B não percorre a compra em linha reta. Num comunicado do Gartner de 2018, a consultoria descreveu seis tarefas que o comprador cumpre para concluir uma compra: identificar o problema, explorar soluções, construir requisitos, selecionar o fornecedor, validar a escolha e criar consenso interno. Segundo a mesma pesquisa, a maioria dos compradores volta a quase todas essas tarefas pelo menos uma vez antes de comprar, e a validação e o consenso acontecem durante o processo inteiro. Para quem desenha o funil, isso tem duas consequências. A etapa marca um compromisso que o comprador assumiu, como validar o escopo ou levar a proposta ao decisor, em vez de tentar reproduzir a ordem em que ele pensa. E aquilo que acontece o tempo todo, como mapear e convencer o comitê de compra, vira campo do negócio, revisado em todas as etapas.

O teste de uma boa etapa

Eu aprovo uma etapa quando ela passa em duas perguntas. O comprador fez alguma coisa que eu consigo apontar no CRM, como uma reunião registrada com o decisor ou a resposta a um rascunho de escopo? Dois gestores, lendo o mesmo negócio sem conversar, colocariam o negócio na mesma etapa? “Proposta enviada” falha na primeira, porque o vendedor envia a proposta sozinho. “Em negociação” falha na segunda, porque cada pessoa entende negociação de um jeito. “O decisor recebeu a proposta numa reunião com a nossa participação” passa nas duas. Em RevOps e CRM na gestão de funis eu mostro um funil de nove etapas burocráticas reduzido a quatro; aqui o foco é o que cada etapa exige para a conversão servir de base à previsão.

Quantas etapas deve ter um funil de vendas B2B?

Para venda nova em B2B, eu trabalho com cinco a sete etapas abertas, mais ganho e perdido. Com menos de cinco, uma mesma fase junta decisões diferentes do comprador, como confirmar o problema e aprovar o orçamento, e a conversão daquela etapa deixa de mostrar onde o negócio emperra. Acima de sete, as etapas extras costumam ser tarefas do vendedor promovidas a fase, como “tentativa de contato” ou “proposta em elaboração”, e o funil passa a medir cliques. O número exato depende do ciclo: uma venda de três semanas com um único decisor cabe em cinco etapas, e uma venda de nove meses com área técnica, jurídico e compras pede seis ou sete.

Crie outro pipeline quando a decisão do comprador mudar, como na renovação e na expansão, em que o cliente decide sobre valor já entregue. Pipeline por vendedor, por região ou por canal de origem multiplica relatórios sem acrescentar informação, e esses recortes funcionam melhor como filtro.

Modelo de funil de vendas B2B: etapa, comprador, evidência e campos

O modelo abaixo serve de ponto de partida para venda consultiva com ciclo de alguns meses e comitê de compra. Cada linha descreve o critério de entrada da etapa, que é também o critério de saída da etapa anterior. Adapte os nomes à linguagem do seu mercado e mantenha a coluna do comprador como está.

Etapa O que o comprador fez para o negócio entrar Evidência no CRM Campos obrigatórios para entrar
1. Problema reconhecido Aceitou uma conversa de diagnóstico sobre um problema que ele mesmo descreveu Reunião realizada, registrada com o contato associado ao negócio Origem, dor principal em lista fechada, contato principal
2. Diagnóstico confirmado Confirmou a dor, o impacto e o prazo, e contou como a empresa decide compras desse porte Resumo do diagnóstico enviado ao cliente e respondido por ele Impacto declarado pelo cliente, evento de prazo, papéis do comitê já conhecidos
3. Escopo validado Validou requisitos e critérios de decisão, com a área técnica envolvida quando a compra exige Resposta do cliente ao rascunho de escopo ou ata da reunião técnica Critérios de decisão, alternativas que o cliente considera, valor estimado
4. Proposta com o decisor O decisor econômico recebeu a proposta numa reunião ou confirmou por escrito que está avaliando Reunião com o decisor associada ao negócio Decisor associado, valor da proposta, data de decisão combinada com o cliente
5. Aprovação formal Iniciou o processo interno de contratação, como cadastro de fornecedor, revisão jurídica ou requisição de compra Pedido de cadastro, minuta em revisão ou requisição recebida Aprovações restantes, responsável do lado do cliente, data de assinatura
Ganho Assinou o contrato ou emitiu o pedido Documento assinado anexado Campos de passagem para o pós-venda
Perdido Comunicou outra decisão ou parou de responder depois da cadência combinada Registro do último contato e da decisão Motivo de perda da etapa em que o negócio estava, concorrente quando houver

Critério de entrada, critério de saída e o negócio que volta

Com o critério escrito na entrada da etapa, o vendedor responde sozinho à pergunta “já posso mover?”. Como o comprador revisita decisões, o funil precisa aceitar volta: o cliente que validou o escopo e depois trocou o diretor de TI retorna à etapa 3 até o novo responsável validar. Registre a regressão com motivo, à vista do gestor, para que nenhum negócio fique na etapa 4 depois de perder o decisor. Deixe escrito também quando um negócio pode pular etapa, como a compra por indicação que entra direto na etapa 3, sempre com os campos obrigatórios das etapas anteriores preenchidos.

Como calcular a probabilidade por etapa pelo histórico?

A probabilidade da etapa responde a uma pergunta: dos negócios que chegaram até ali e já tiveram desfecho, quantos terminaram ganhos? Para calcular, separe os negócios que entraram na etapa numa janela de doze meses e que já foram encerrados, ganhos ou perdidos, e divida os ganhos pelo total encerrado. Deixe os negócios abertos fora da conta, porque contá-los como perdidos derruba a probabilidade calculada. O relatório precisa partir da data de entrada em cada etapa, que o CRM guarda no histórico do negócio, e não da etapa em que o negócio estava quando fechou.

No exemplo ilustrativo abaixo, os 40 negócios ganhos passaram por todas as etapas, e a última coluna mostra a probabilidade que a equipe tinha configurado no CRM.

Etapa Entraram e foram encerrados em 12 meses Ganhos Probabilidade histórica Probabilidade configurada
1. Problema reconhecido 400 40 10% 10%
2. Diagnóstico confirmado 200 40 20% 25%
3. Escopo validado 120 40 33% 50%
4. Proposta com o decisor 90 40 44% 70%
5. Aprovação formal 55 40 73% 90%

A diferença na etapa 4 é a que mais pesa. Com R$ 2 milhões em proposta, a probabilidade configurada projeta R$ 1,4 milhão, e a histórica projeta R$ 880 mil. O método que usa esses números, com categorias de compromisso e ritual semanal, está em previsão de vendas. O número só vale se o time aplicou o critério de etapa do mesmo jeito durante a janela inteira.

Cuidados com a amostra e com o segmento

Com poucas dezenas de negócios encerrados por etapa, a taxa oscila entre trimestres sem que nada tenha mudado na operação; amplie a janela para 18 ou 24 meses ou junte segmentos parecidos. Quando contas pequenas e grandes convertem de forma diferente, calcule por faixa de valor, porque a média das duas não descreve nenhuma. Recalcule a cada trimestre e registre a versão em vigor em cada período.

Tempo por etapa e motivo de perda por etapa

Quanto tempo o negócio fica em cada etapa

Meça a mediana de dias em cada etapa separando ganhos e perdidos. A mediana dos ganhos mostra o ritmo normal da compra no seu mercado e, somada etapa a etapa, se aproxima do ciclo de vendas. A dos perdidos mostra onde os negócios morrem devagar: se os perdidos ficam na etapa 4 três vezes mais tempo que os ganhos antes de alguém encerrá-los, o time está segurando propostas que o cliente já abandonou. O limite de “parado além do ciclo”, uma das listas de exceção da reunião de pipeline, sai desse número.

Motivo de perda com lista própria em cada etapa

Uma lista única de motivos mistura perdas de natureza diferente: o negócio que caiu na etapa 1 por estar fora do perfil fala do critério de lead, e o que caiu na etapa 5 por veto do jurídico fala do contrato. Com uma lista fechada por etapa, cada área sabe qual perda é assunto dela. “Sem retorno” entra em qualquer etapa, desde que o vendedor tenha cumprido a cadência combinada, e se “outros” passar de um em cada dez perdidos, a lista precisa de revisão.

Etapa em que o negócio parou Motivos de perda em lista fechada Quem usa a leitura
1. Problema reconhecido Fora do perfil de cliente ideal; problema sem prioridade na empresa; contato sem relação com a área Marketing, para revisar canal e critério de lead
2. Diagnóstico confirmado Impacto pequeno para o investimento; sem verba no ano; decisão adiada pelo cliente Vendas e marketing, para revisar a qualificação
3. Escopo validado Requisito que a solução não atende; cliente decidiu resolver internamente; integração inviável Produto e pré-vendas
4. Proposta com o decisor Escolheu um concorrente; decisor não aprovou o investimento; valor percebido abaixo do preço Liderança de vendas e diretoria, para proposta e preço
5. Aprovação formal Veto de jurídico ou compras; orçamento congelado; troca de liderança no cliente Diretoria e jurídico, para contrato e condições

Como conectar o funil de marketing, o de vendas e o de pós-venda?

No mesmo comunicado de 2018, o Gartner registrou que o comprador B2B usa o vendedor e o site do fornecedor na mesma medida, para descobrir e validar, ao longo de toda a jornada. Para a operação, a ligação entre os funis depende de a informação seguir o cliente de uma área para a outra: a dor que o lead declarou ao SDR chega ao campo de dor da etapa 1, e o impacto confirmado na etapa 2 vira o critério de sucesso que o pós-venda acompanha.

O desenho fica coerente quando o critério de saída de um funil é o critério de entrada do seguinte. O último estágio do funil de marketing, o lead aceito por vendas, corresponde à entrada da etapa 1, com os prazos e devoluções definidos no SLA entre marketing, vendas e pós-venda. O critério de ganho, com os campos de passagem preenchidos, é a entrada do funil de pós-venda, que segue a mesma lógica de marcos do cliente: kickoff concluído com o plano aprovado por ele, primeiro critério de sucesso atingido, uso dentro do combinado e renovação decidida. Esse funil, com os rituais de conta, está em pós-venda B2B.

O marketing passa a acompanhar a conversão por origem até o ganho e as perdas das etapas 1 e 2, que dizem se o critério de lead está calibrado. A liderança de vendas lê conversão, tempo e regressões por vendedor e leva o padrão para o coaching. O pós-venda recebe clientes com dor, impacto e comitê registrados e devolve ao marketing os motivos de cancelamento.

Como migrar do funil antigo sem perder histórico?

A troca de etapas assusta a liderança porque os relatórios de conversão dos últimos anos dependem das etapas antigas. Conforme a ferramenta, excluir uma etapa obriga a mover os negócios que estão nela e embaralha esses relatórios, por isso eu prefiro criar o funil novo ao lado do antigo, fechar o antigo para negócios novos e mantê-lo para consulta. Antes, exporte o histórico de etapas com as datas de entrada e monte um mapa de correspondência: algumas etapas se fundem, e as que eram tarefa do vendedor viram atividade da cadência.

Migrar os negócios abertos pelo mapa, de forma automática, carrega para o funil novo a ambiguidade do antigo. Reserve uma sessão com cada vendedor e reclassifique os negócios pela evidência: o que tem reunião com o decisor registrada vai para a etapa 4, e o que tem só a proposta enviada volta para a etapa que a evidência sustenta. Avise a diretoria antes, porque o valor nas etapas finais costuma encolher na virada.

Roteiro para a liderança aplicar

  1. Tire o retrato do funil atual. Compare a conversão real de cada etapa nos últimos doze meses com a probabilidade configurada e conte quantos perdidos têm motivo genérico.
  2. Escreva as etapas pela coluna do comprador, com as lideranças de vendas, marketing e pós-venda, definindo evidência e campos obrigatórios.
  3. Teste o texto em negócios encerrados. Escolha vinte ganhos e perdidos do último ano e peça que duas pessoas classifiquem cada um pelo critério novo, sem conversar. Reescreva as etapas em que elas divergirem.
  4. Configure o CRM depois do texto aprovado. Campos obrigatórios por etapa, motivos de perda por etapa e regressão com motivo.
  5. Faça a virada com reclassificação, seguindo o checklist acima.
  6. Revise por trimestre. Recalcule probabilidade e tempo e leia os motivos de perda com as áreas que respondem por eles.

Por que o funil só prevê receita quando o time aplica o mesmo critério?

O modelo deste texto cabe num documento de duas páginas, e o funil só funciona quando dez vendedores leem “o decisor recebeu a proposta” do mesmo jeito no dia 28, com a meta em aberto. O vendedor que aprendeu na empresa anterior que proposta enviada é etapa vai mover o negócio por hábito, e o critério escrito não muda esse hábito sozinho. O hábito muda quando o vendedor pratica a classificação nos próprios negócios, ouve dos colegas que evidência falta e encontra, na reunião seguinte, um gestor que pergunta pela evidência antes de aceitar o avanço.

Na formação de Revenue Operations que eu conduzo, a turma redesenha o funil em sala, com vendas, marketing e pós-venda juntos. Cada participante traz negócios abertos e encerrados, o grupo classifica os casos pelo texto novo e reescreve o critério onde ele deixou dúvida. O gestor sai sabendo que evidência pedir em cada etapa, e quem administra o CRM sai com a configuração aprovada pelas três áreas.

O que RH e T&D precisam avaliar

Os sinais da necessidade aparecem no CRM: o funil usa a probabilidade que veio configurada na ferramenta, a conversão por etapa oscila entre trimestres sem explicação de mercado, negócios saltam duas etapas na semana do fechamento e “outros” e “sem retorno” dominam os motivos de perda. A turma reúne a liderança comercial, quem responde por RevOps ou administra o CRM e as lideranças de marketing e de pós-venda, que definem as passagens entre os funis. Vendedores e SDRs entram nas sessões de classificação, porque são eles que movem o negócio no dia a dia. Para medir, tire a linha de base antes: a parcela dos negócios abertos com a evidência da etapa registrada, numa amostra mensal, a diferença entre a probabilidade histórica e a conversão realizada e a parcela das perdas com motivo específico. Compare depois de dois trimestres.

Se a sua diretoria desconta o forecast por conta própria e ninguém consegue dizer o que separa uma etapa da seguinte, esse é o trabalho do treinamento in company de Revenue Operations. Eu conduzo a formação sobre o funil e os negócios reais da sua operação, com vendas, marketing e pós-venda na mesma sala, e a turma sai com o SLA entre marketing, vendas e CS, que fixa os critérios de passagem entre os três funis, e com a matriz de métricas de RevOps, onde conversão, tempo e motivo de perda por etapa passam a ter dono e frequência de revisão.

Perguntas frequentes

O que é funil de vendas B2B?

É a sequência de etapas que uma oportunidade percorre entre o primeiro interesse qualificado e a decisão de compra de uma empresa. Num funil que prevê receita, cada etapa registra algo que o comprador fez, com evidência no CRM, e a conversão entre etapas vem do histórico da própria operação.

Quantas etapas deve ter um funil de vendas?

Para venda nova em B2B, entre cinco e sete etapas abertas, mais ganho e perdido. Vendas curtas com um decisor cabem em cinco, e vendas longas com comitê, área técnica e jurídico pedem seis ou sete. Acima disso, as etapas extras costumam ser tarefas do vendedor.

Qual a diferença entre funil de vendas e pipeline de vendas?

Os dois usam as mesmas etapas. O funil é a leitura de conversão, que mostra quantos negócios passam de uma etapa para a outra e onde eles emperram. O pipeline é a carteira de negócios abertos, com valor, etapa e data, que a liderança revisa toda semana.

Como calcular a probabilidade de cada etapa do funil?

Separe os negócios que entraram na etapa nos últimos doze meses e já foram encerrados, e divida os ganhos pelo total encerrado. Deixe os abertos fora da conta, recalcule a cada trimestre e separe por segmento ou faixa de valor quando eles convertem de forma diferente.

Como mudar as etapas do funil sem perder o histórico do CRM?

Exporte o histórico de etapas com as datas antes de mexer, crie o funil novo ao lado do antigo e mantenha o antigo fechado para consulta. Reclassifique os negócios abertos pela evidência, com cada vendedor, e use a conversão antiga como probabilidade provisória até o histórico novo ter volume.

Quem deve participar de um treinamento sobre funil de vendas?

A liderança comercial, quem responde por RevOps ou administra o CRM e as lideranças de marketing e de pós-venda, que definem as passagens entre os funis. Vendedores e SDRs participam das sessões em que a turma classifica negócios reais pelo critério novo, porque o funil só prevê receita quando quem move o negócio aplica a mesma régua do gestor.

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